terça-feira, 25 de março de 2008

A Questão da Dor, a Dor Psíquica e o Sofrimento


Centro de Estudos Budistas Bodisatva Salvador - BA
Budismo Tibetano - Lama Padma Samten

w w w . c a m i n h o d o m e i o . o r g

DIÁLOGOS “BUDISMO E SAUDE” - SALVADOR/BA

A Questão da Dor, a Dor Psíquica e o Sofrimento

01 a 03 de Abril de 2008
Das 19h30 às 21h30
Local: Instituto da Hospitalidade
Rua da Misericórdia
(em frente ao Museu da Misericórdia)

Fazendo parte da Programação da exposição das Relíquias do Buda no Museu da Misericórdia, esse evento especial pretende reunir especialistas de diversas áreas, de saúde, acadêmica e mestres de diferentes tradições, para um Diálogo Budismo e Saúde. Dentre os temas abordados, além dos Ensinamentos tradicionais, ocorrerão várias palestras abordando as Diferentes Visões, o Aprofundamento da situação e as Ações no Mundo, através das quais o homem contemporaneo pode ser entendido e apoiado em sua busca pelas causas e fim do Sofrimento.

PROGRAMAÇÃO
Dia 1º de abril, terça-feira
Módulo I – O Profissional de Saúde Mental, a Ciência e a Espiritualidade:
- Contradições e Interseções.
Palestrantes: Dr Adenáuer Novaes Psicólogo Clínico formado pela UFBa, autor de livros - Drª Arlúcia Fauth - Psiquiatra e Psicanalista. Profª do Departamento de Neuropsiquiatria da FAMEB-UFBa e terapeuta da Aliança de Redução de Danos - UFBa. Convidado Especial: Lama Padma Samten (POA) – Moderadora: Profª Ana Ricl (Coordenadora do CEBB SSA)

Dia 02 de abril, quarta-feira
Módulo II – A Realidade da Dor, da Dor Psíquica e do Sofrimento:
- “Quando Tudo se Desfaz..”
Palestrantes: Babalorixá Augusto Cesar Lacerda, filho de Mãe Menininha do Gantois, formação acadêmica em Artes Plásticas e diretor fundador de arte do ARAKETU – Profª Heloísa Helena Costa Doutorado em Sociologia da Universidade do Québec, Profª em faculdades no Brasil e no Exterior, Consultora da Unesco, Drª Márcia Villemor (Médica Oncologista, Membro das Associações de Oncologia Clínica do Brasil e dos Estados Unidos). Convidado Especial: Lama Padma Samten (POA) – Moderadora: Sra. Jane Palma (Diretora do Museu da Misericórdia)

Dia 03 de abril, quinta-feira
Módulo III - O Tratamento da Dor, da Dor Psíquica e do Sofrimento:
- Prevenção, Intervenção e Liberação
Palestrantes: Dr. André Furtado Especialista em Psiquiatria pela UFBa, Preceptor da Residência Médica e Diretor Geral do Hospital Juliano Moreira da SESAB - Dr. Gervásio Araujo - psiquiatra, formado em Reparentalização pelo Cathexis Institute (USA), autor de livros, foi médico de instituições públicas e privadas na Bahia. Convidado Especial: Lama Padma Samten (POA) – Moderadora: Drª Arlúcia Fauth

CONTRIBUIÇÃO SUGERIDA
Seminário Completo............................................R$ 70,00

Módulo Individual (cada).....................................R$ 30,00

LOCAL
Instituto da Hospitalidade – Rua da Misericórdia
(em frente ao Museu da Misericórdia)

INFORMAÇÕES
salvador@caminhodomeio.org
Tel.: (71) 3342.0992 (recado) - (71) 9134.8455

Que todos os seres possam se benficiar!

LAMA PADMA SAMTEN

Lama Padma Samten é brasileiro, nascido em 1949, foi aceito em 1993 como discípulo por Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche. Foi ordenado em Três Coroas RS Brasil, em dezembro de 1996 por seu mestre como lama budista da linhagem Ningmapa. Sua linguagem opta pela introdução clara das liberdades já presentes na natureza ilimitada manifesta em cada um. Lama Samten também tem trabalhado intensamente pelo diálogo inter-religioso, no movimento pacifista, é membro fundador do Comitê Brasileiro de Apoio ao Tibet, facilitador da UNIPAZ e Fundação Peirópolis. Seus ensinamentos foram parcialmente publicados na forma de livros com os títulos: "Meditando a Vida", "Jóia dos Desejos", "O Lama e o Economista", "Relações e Conflitos", e "Mandala do Lótus".

TURNÊ DE EXPOSIÇÃO DAS RELÍQUIAS DO BUDA - PROJETO MAITRÉIA

Relíquias do Buda e de outros Grandes Mestres do Budismo
Salvador - BA - 04 a 08/04/2008
Uma coleção com mais de 1.000 relíquias sagradas do Buda e de outros mestres budistas estará sendo exposta no Brasil. Estas relíquias serão guardadas de forma definitiva em um relicário no coração da magnífica estátua do Buda Maitréia...
Local: Museu da Misericórdia Rua da Misericórdia, n° 6 (entre o Elevador Lacerda e a Praça da Sé) - Exposição Aberta ao Público Das 10h00 às 17h00.

saiba mais...

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Curso gratuito de INTRODUÇÃO AO GALEGO

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
NÚCLEO DE ESTUDOS GALEGOS
CURSO DE EXTENSÃO


Contatos:
nueguff@vm.uff.br e lozorio@predialnet.com.br

O Núcleo de Estudos Galegos da Universidade Federal Fluminense vai
oferecer o curso de extensão “Introdução ao Galego”, coordenado pelo Prof. Dr.
Fernando Ozório Rodrigues (UFF e ABF) e ministrado pelo Prof. Dr. Xoan Carlos
Lagares (UFF).

O curso se dirige a estudantes e profissionais da área de Letras ou de
outras áreas congêneres que tenham interesse em conhecer o monumento cultural
que é o galego, língua oficial, junto com o castelhano, da região noroeste da
Península Ibérica: a Galícia, ou Galiza.

São dois os objetivos gerais do curso: oferecer elementos que ajudem a
compreender a situação sociolingüística da língua galega hoje; e mostrar as
principais diferenças entre as falas galegas e o português brasileiro, de modo a
possibilitar o diálogo de alunos brasileiros com enunciados escritos e orais em língua
galega.

O curso terá a duração de 20 horas/aula, em encontros semanais, às
quintas-feiras, das 14 às 16 horas, a partir do dia 03 de abril de 2008, e será
realizado na sala 214, bloco C, no Instituto de Letras da UFF, Campus do
Gragoatá, em Niterói.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na sala 216, bloco C,
Campus do Gragoatá, e ainda pelo telefone 2629-2565, ou por e-mail:
nueguff@vm.uff.br, lozorio@predialnet.com.br

Serão fornecidos certificados de participação, e todo o material didático do
curso será oferecido gratuitamente.


Atenciosamente,
José Pereira da Silva

Visite a página do CiFEFiL e participe de seus eventos:

VI JORNADA NACIONAL DE FILOLOGIA (04/04/2008) - http://www.filologia.org.br/vijonafil

XII CONGRESSO NACIONAL DE LINGÜÍSTICA E FILOLOGIA (25 a 29/08/2008) - http://www.filologia.org.br/xiicnlf

III JORNADA NACIONAL DE LINGÜÍSTICA E FILOLOGIA DA LÍNGUA PORTUGUESA (05/11/2008) - http://www.filologia.org.br/iiijnlflp

Se quiser adquirir alguma de nossas publicações, acesse a página http://www.filologia.org.br/livraria

Baixe para o seu computador o texto completo do novo ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA em PDF (http://www.filologia.org.br/acordo_ortografico.pdf)

quarta-feira, 19 de março de 2008

A VISÃO DOS DEDOS

A VISÃO DOS DEDOS

Nos últimos anos, nota-se uma crescente preocupação com o hábito da leitura entre crianças e jovens estudantes. Há muito tenho lido reportagens e notícias que abordam esse tema de forma bastante comprometida com o público jovem e essa nova perspectiva para a educação.

No entanto, o que me chama muito a atenção não são as constantes e necessárias implementações para a democratização da leitura, mas, sim, o desconhecimento sobre como ocorre o acesso à palavra escrita por um mercado consumidor, que por ser a minoria, fica às margens dessa nova realidade. Trata-se de um público leitor: os estudantes que, além de ler, tocam as palavras e podem sentí-las com as pontas dos dedos, viajam nesse mundo de sensações e imaginações.

No último ano, porém, tive uma experiência que me trouxe muitas descobertas, dentre elas a que julgo de grande importância: a busca dos profissionais da educação pela capacitação em “grafia Braille”. Durante a formação de duas turmas de professores, verificou-se que o desconhecimento dessa forma pouco comum de "enxergar" as palavras, vem dando lugar ao enorme interesse e, acima de tudo, ao cuidado de encarar essa capacitação não apenas como complementação de um currículo, mas para multiplicar e compartilhar tais aprendizados em seu círculo de convívio.

Essa é uma das maneiras positivas de valorizar o público deficiente visual como membros de um grupo social, respeitando a diversidade como um aspecto da própria condição humana e buscar a consciência, levando até os superiores a necessidade de encará-los como pertencentes ao mercado consumidor, afinal, é a demanda que fará a diferença e colocará no mercado o material de que precisam.

Você provavelmente já ouviu falar em Sistema Braille, um Sistema de leitura tátil e escrita em relevo que leva o nome de seu inventor: Louis Braille. Ele nasceu na França (1809-1852) e perdeu sua visão aos 3 anos acidentalmente. Criou este método ainda jovem, porém, o reconhecimento e a adoção do código oficial só foi possível após sua morte. Expandiu-se lentamente pelo mundo, sendo o Brasil o 1º país da América Latina a trazer a escrita em relevo para a libertação educacional e cultural dos deficientes visuais.

Você já deve ter encontrado algum deficiente visual alisando ou tocando alguma página e ter ficado horas observando para descobrir qual seria o significado de tantos pontos amontoados em um pedaço de papel. Outras vezes, o espanto é inevitável, sendo comum escutar frases como: "Ele é um gênio!" Porém, não há nada de tão genial e nem existem poderes sobrenaturais para que aquele amontoado de pontos se transforme em palavras, sentenças, frases e tenha um significado coerente. Justamente por ser uma forma de leitura e escrita acessível a qualquer pessoa, seja cega ou vidente (quem enxerga), o Braille não é considerado uma "linguagem" própria dos deficientes visuais.

Para quem enxerga e para os cegos, as técnicas são distintas. Os primeiros utilizam o olho e elaboram uma comparação simbólica para cada sinal que representa letras, numerais, sinais de pontuação, código musical, matemática, química, física, entre outros. Já para o segundo grupo, o que ocorre é a substituição de um canal receptor, no caso a visão, pelo tato, caracterizando-se por um método analítico, pois será por meio do contato direto do "dedo" com a letra em relevo no papel que a leitura será possível. Analisa-se letra a letra, ao contrário da técnica globalizante empregada pela visão, captando registros diferentes simultaneamente. Essa fragmentação de leitura provocada pelo tato faz com qu e o processo de alfabetização Braille seja criterioso e utilize métodos e técnicas específicas, bem como a seqüência das etapas, como a de estimulação tátil, a fase preparatória de pré-leitura, escrita, leitura e utilização de materiais comparativos com a estrutura do Sistema em relevo.

Cabe lembrar, também, que os níveis e processos de aprendizagem variam para crianças ­– na fase de alfabetização, adultos na reabilitação e professores para dar suporte a um aluno em sala regular. O ensino deste método deve ser acompanhado por um profissional especializado e, durante a fase escolar, ensinado paralelamente aos conteúdos convencionais das disciplinas, pois o Braille, ao contrário do que muitos profissionais afirmam, não se constitui em uma metodologia de ensino, mas para o deficiente visual que está nesta etapa do conhecimento, corresponde ao próprio conteúdo.

Sua universalidade não retira o caráter lógico de sua estrutura e das normas técnicas, sendo somente possível representá-las com o uso do alfabeto em relevo, já que não existem correspondências em tinta para tais: distribuição lógica no papel, posicionamento de mãos, movimentos de dedos, representação de sinais e pontos. Os erros de ortografia que aparecem durante a escrita nem sempre são os mesmos erros da grafia em tinta, por exemplo, perfurando um ponto a mais na letra c, ela pode se transformar – dependendo da posição em que se encontra – nas letras m, f, d, e assim por diante. Isso reforça, ainda mais, que os processos de alfabetização em tinta e em Braille são distintos e quaisquer ações para tal padroniza&ccedi l;ão podem levar ao fracasso deste processo.

No entanto, a denominação acima de "genial" pode ser muito bem empregada quando pensamos que, há pouco mais de 200 anos, toda essa independência e autonomia estava limitada aos olhos de alguém que pudesse descrever ou ler os escritos para os cegos. Ficavam isolados do mundo, da literatura, da escolarização e até mesmo do convívio social, afinal, a linguagem escrita e lida tornou-se objeto essencial para o relacionamento coletivo.

Assim, para os deficientes visuais, o genial do Sistema está na liberdade proporcionada, na luz acesa para gerar um saber, um conhecimento, o compartilhar de idéias e significados, imagens e sensações capazes de construir e reconstruir, escrever e reescrever, num exercício constante, sua própria obra: a vida!

Luciane Maria Molina Barbosa é pedagoga especializada em grafia Braille; professora de Alfabetização/reabilitação pelo método Braille; capacitação de professores e palestrante. Para entrar em contato com a autora, mande um e-mail para braillu@uol.com.br. Acesse também o site: HTTP://intervox.nce.ufrj.br/~brailu

Caso queira enviar seu texto ou tirar alguma dúvida a respeito do Jornal Virtual, mande e-mail para priscila.conte@humanaeditorial.com.br

Até

Priscila Conte

Sociedade do futuro

Sociedade do futuro
Kelly Roncato

Ele tem apenas 13 anos de idade. Traz consigo o histórico da violência intrafamiliar, da vida nas ruas, dos atos infracionais e do vício em drogas. Ouviu a mãe atirar no pai adotivo aos oito anos de idade, parou de estudar e fugiu de casa. Mas tudo isso faz parte do passado. Hoje, a história que Railander Pablo Freitas de Souza tem para contar é muito boa. Ele é – e será até completar 18 anos – o representante brasileiro do júri internacional infantil do Prêmio Nobel das Crianças.

Um pouco de história...
Tudo começou quando o garoto foi encaminhado pela própria mãe para o abrigo Casa Moradia e conheceu o projeto Circo de Todo Mundo. Lá Railander teve acesso à informação de que existia um prêmio, entregue anualmente, a pessoas que se preocupavam em garantir o cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes em alguma parte do mundo. E quem elegia essa pessoa era um júri internacional formado por 15 crianças de várias partes do mundo. O requisito para fazer parte da seleção era possuir uma história de vida que demonstrasse claramente a necessidade de encontrar e persuadir a sociedade civil para o trabalho de proteção da infância no mundo.

O caso de Railander poderia competir com o de outras crianças. Assim, o nome dele foi inscrito na seleção brasileira da criança que se tornaria a representante do país nesse júri. O garoto teve sua história de vida publicada no Portal Educacional e mais de 4 mil estudantes de escolas públicas, particulares, moradores de abrigos e participantes de projetos em Organizações Não Governamentais votaram no nome dele como sendo de um bom representante.

Por isso, em abril deste ano, o mineiro Railander foi à Suécia participar do encontro com outras 14 crianças e ajudar a decidir, em uma votação, quem seria a vencedora de 2007 do prêmio Amigo das Crianças, oferecido pela ONG Children’s World, da Suécia, e entregue, em cerimônia solene, pela Rainha Silvia. Em 2007 concorreram Cynthia Maung, da Birmânia, Inderjit Khurana, da Índia e Betty Makoni, do Zimbábue.

“Nesse evento eu aprendi que nós, menores de 18 anos, temos direitos a serem cumpridos. Eles são sérios, valem para todos, mas o Brasil ainda pode melhorar muito, porque existem coisas fundamentais e simples que não são feitas aqui”, diz ele. “Quando chegamos lá, temos alguns problemas de comunicação, por conta da língua, mas é possível aprender o que os outros países já estão fazendo e ver que algumas necessidades não são só nossas.”

Teoria na prática
O garoto conta que hoje estuda pela manhã e participa do projeto Circo de Todo Mundo à tarde. Com essas atividades diárias, ele aprende a ter disciplina, a buscar seus sonhos, compreende mais a necessidade que pessoas com a idade dele possuem nos quesitos estudos, brincadeiras, alimentação adequada, proteção e carinho. Pilares que, juntos, trazem a oportunidade para a vida de crianças, mesmo que nasçam em famílias pobres ou sejam filhas de países do chamado terceiro mundo.

Além de todas essas conquistas, Railander voltou a morar com a família. Quando crescer quer ser ginasta e trabalhar em um circo. Se possível, no Cirque Du Soleil, já que é o melhor do mundo. “Hoje estou melhor, estou morando de vez com a minha mãe e com os meus irmãos. A minha convivência com eles melhorou muito. Eu mudei, aprendi coisas novas e melhorei.”

O representante brasileiro do júri internacional infantil Crianças de Todo Mundo – nome real do “Nobel das Crianças” – nunca mais usou drogas ou cometeu atos infracionais. Pelo contrário, ele hoje serve de modelo a ex-colegas de rua e ajuda outras crianças a conhecerem seus deveres e direitos em diversos locais, entre eles a sala de aula. “Sempre digo para meus amigos serem educados e respeitarem os professores. Eles nos ensinam, nos dão carinho e podemos melhorar com o que aprendermos.”

A história deste menino é um bom exemplo, professor, para você trabalhar com seus alunos temas como superação, desafio, persistência e a busca por aquilo que se deseja. Além, claro, de ajudar àqueles que passam por uma situação parecida a encontrar um caminho para a mudança.

Educação é investimento?

Educação é investimento?
Vanja Ferreira


Estava assistindo a TV Senado e vi uma entrevista com o Senador Cristóvão Buarque do PT-DF, na qual ele diz a seguinte frase: “Educação é investimento; assistência social é gasto, despesa sem retorno.”

Concordo plenamente. Um país que valoriza e prioriza a educação, com certeza, não vai precisar de projetos assistenciais – do tipo Vale Gás, Fome Zero, Bolsa Família, Bolsa Escola, etc.; que, para mim, são esmolas – porque seus cidadãos terão uma vida mais digna, mais justa e menos desumana.

Um povo educado é consciente de seus direitos, portanto, é capaz de reivindicá-los, uma vez que conhecem as leis e podem forçar o poder público a exercê-las.

Educação perpassa por leitura e escrita, mas muito mais por senso crítico, luta por melhores condições de vida, justiça social, conscientização, deveres e direitos em níveis igualitários, ética e, acima de tudo, educação perpassa pela cidadania.

Num mundo capitalista, onde a sobrevivência depende de moeda, é necessário trabalho para todos. Não é possível construir um mundo justo com uma minoria com muito e uma maioria com muito pouco!

Temos de encontrar uma maneira de resgatar o trabalho braçal das lavouras, as mãos-de-obra que movimentam as máquinas, as construções, os serviços de limpeza, valorizando cada uma destas funções e remunerando-as adequadamente, sem exploração e escravidão; para que as pessoas que as exercem não sintam necessidade de abandoná-las na esperança de uma vida melhor.

Já imaginou se existissem só doutores? Quem faria o serviço técnico?

Temos de trabalhar naquilo que possuímos habilidade e gostamos de fazer, porém, queremos uma remuneração justa, que valorize o trabalho de cada setor; que os governantes, patrões, donos do poder percebam que somos uma equipe; se não houver quem plante não haverá o que comer; se não houver quem cate o lixo iremos adoecer; se não houver quem ensine iremos “emburrecer”; enfim, são tantas rimas que eu passaria o dia aqui tentando descrever...

A palavra chave é va-lo-ri-za-ção!

Uma pessoa valorizada tem aumento da auto-estima, tem interesse em progredir de forma lícita; sabe que não precisa cometer nenhum ato de violência, pois pode ter e dar uma vida digna para sua família.
O que quero dizer é que só educação não basta!

Uma pessoa educada que não tem trabalho, que não tem dignidade, que não é valorizada, que vê e não pode ter, será uma bomba-atômica na sociedade e provocará estragos bem maiores quando explodir.

Ensinar o ser humano a “aprender, a ser, a fazer e a conviver” conforme sugeriu a UNESCO e fazer parte do discurso de muitas instituições hoje, é fácil. No meu ponto de vista, difícil é ensinar a repartir, a dividir, a compartilhar, trocar e democratizar.

Quando a educação estiver a serviço da eqüidade será investimento; caso contrário, a escola continuará sendo uma instituição assistencialista, ensinando o indivíduo a “conviver” com aquilo que já está instituído pelo poder público; a “ser e a fazer”aquilo que já esta determinado e a “aprender” aquilo que for do interesse político.

segunda-feira, 3 de março de 2008